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Novo líder da RIM diz que não vai desmembrar empresa

Research In Motion

Depois de quase 20 anos juntos no comando da Research In Motion Ltd., Jim Balsillie e Mike Lazaridis, os codiretores-presidentes da empresa, deixaram seus cargos para um obscuro veterano da empresa como parte de uma reestruturação no conselho e na diretoria.

Faz meses que os investidores clamam por uma mudança estratégica significativa, novas lideranças ou a venda da empresa, devido aos problemas enfrentados pela fabricante do BlackBerry para concorrer com a Apple Inc. e a Google Inc. em meio a problemas operacionais e o declínio acentuado na sua ação. A saída surpreendente de Balsillie e Lazaridis é um passo significativamente mais agressivo do que muitos críticos esperavam que a RIM adotasse para agradar os acionistas furiosos. Mas a mudança não elimina os dois da empresa, onde continuarão como membros do conselho e acionistas substanciais.

A RIM anunciou que Lazaridis, que ajudou a fundar a empresa em 1984 com um empréstimo dos pais, e Balsillie, que se juntou a ele em 1992, deixaram a presidência executiva e também a copresidência do conselho. O conselho de administração escolheu Thorsten Heins, que já foi um dos dois diretores operacionais da empresa, para ser o diretor-presidente, informou a RIM.

Numa teleconferência na segunda-feira, Heins indicou que não planeja grandes mudanças como a venda da empresa, que alguns investidores têm buscado. “Não acho que é necessária alguma mudança drástica”, disse ele. Mas Heins disse também que a RIM vai ouvir as propostas de possíveis interessados em comprar a empresa. Mas ele disse também que não vai desmembrar a RIM: “De maneira alguma vou dividi-la em empresas diferentes”, apesar da forte separação entre as divisões de serviços, aparelhos e do sistema da empresa.

Heins, de 54 anos, entrou na RIM em 2007 depois de ser o diretor de tecnologia da informação da Siemens AG. Embora seja conhecido no setor, Heins, que é alemão, trabalhou na RIM à sombra de Balsillie e Lazaridis, mais recentemente como diretor operacional de software, hardware e vendas.

A empresa informou também que a conselheira Barbara Stymiest se tornará presidente independente do conselho. Lazaridis continuará como vice-presidente do conselho e Balsillie será um dos conselheiros.

Em entrevistas ao The Wall Street Journal, os dois fundadores e outros executivos e conselheiros da RIM disseram que os dois não foram forçados a deixar a empresa. Em vez disso, disseram eles, eles recomendaram mudanças na liderança administrativa. Balsillie disse que o momento foi ideal porque os dois maiores projetos da RIM — as mudanças no tablet PlayBook, que tem vendido pouco e será relançado no início do ano, e a chegada ao mercado também este ano de um novo BlackBerry, que usará o novo sistema operacional da RIM — estão seguindo o cronograma.

Ele negou que o momento das mudanças no alto escalão tenha a ver com a pressão dos acionistas ou o declínio da cotação da RIM. “Não foi uma reação a isso”, disse Balsillie numa entrevista ao The Wall Street Journal na sede da RIM, em Waterloo. A ação da RIM perdeu três quartos de seu valor de mercado em 2011.

A empresa informou também que não vai abandonar os fundamentos da estratégia criada por Balsillie e Lazaridis para recuperar a empresa. Essa estratégia envolve lançar o novo PlayBook, o novo BlackBerry e um novo sistema operacional chamado BlackBerry 10, que será instalado nos dois aparelhos.

© 2011 Wall Street Journal (www.wsj.com)
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